Noémia de Souza
Mãe dos Poetas Moçambicanos

Noémia de Souza

Imagem da Autora

Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu em 20 de setembro de 1926, Moçambique.
Foi casada, desde 1962, com o poeta Gualter Soares e teve uma filha chamada Virginia Soares.
Um dos principais traços da poesia de Noémia de Sousa está em seus esforços de articular,
através de estratégias intertextuais, um diálogo entre as vozes africanas e textos culturais
advindos de outras searas, como a distante América do Norte.

Aos 6 anos mudou-se para capital, Maputo, onde começou a estudar na escola "Primeiro de Janeiro".
Aos 8 anos quando perdeu o pai, dois de seus irmãos ja estudavam em Lisboa, mas ela seguiu os
estudos na Escola Comercial em Maputo. Com a morte do pai, a família se viu em dificuldades e
Noémia começou a trabalhar para ajudar a família.

Noémia de Souza atuou na literatura, sendo uma notória militante na luta da libertação de seu povo,
também atuou no jornalismo, trabalhando para o jornal da associação O Brado Africano, criada com o
objetivo de recolher as queixas dos “filhos da colônia”.

Em seu único livro, Sangue Negro , foram reunidas todas as suas obras escritas entre 1948 e 1951.
O livro composto por 49 poemas, foi publicado em 2001 pela Associação dos Escritores
Moçambicanos (AEMO), um ano antes de sua morte.


Curiosidades

Na época em que escrevia, o povo africano sofria com a repressão do colonialismo europeu e
em seus poemas de tom nacionalista, a poeta defendia incansavelmente seu povo na luta pela liberdade,
assim Noémia se tornou representante da voz do povo africano. Porém, teve de se exilar em Portugal,
por conta da crescente repressão política em Moçambique. Para continuar escrevendo,
ela adotou o pseudônimo de Vera Micaia, depois continou publicando em alguns jornais, mesmo querendo
censurá-la Noémia de Souza nunca se rendeu.

Em seu livro Sangue Negro, Noémia de Sousa não só apenas nos leva a enxergar o sofrimento que vivenciou,
mas também a prostituição e os abusos sofridos pela mulher negra durante os anos de colonização.
No seu poema "Moça das Docas" Noémia concede a voz a um sujeito feminino a fim de abordar a vivência
dessas mulheres num contexto social de exclusão e que infelizmente tiveram que se submeter à prostituição.


Alguns de seus poemas escolhidos:

Imagem do livro Sangue Negro

Canção fraterna. 1948
Lição. 1951
Abri a porta companheiros. 1949


Principais Colaborações

Noémia colaborou em publicações de jornais e revistas
como escritora e jornalista.

Jornais País Ano
Notícias do Bloqueio Porto-Portugual 1959
O Brado Africano Moçambique Não há registros
Itinerário Moçambique
Sul Brasil
Mensagem Luanda-Angola
Moçambique 58; Vértice Coimbra-Portugual